...a vida que se leva
No fim das contas, levamos só o que há de melhor do que vivemos, do que conhecemos, do que experimentamos. Daquilo, daquele, do lado de lá.
Do meu pai peguei os olhos e outras coisinhas que não são vistas a olhos nus.
Da TV peguei o vício. Da rotina, as manias.
Da paixão tenho a gargalhada. Do amor para sempre tenho o sorriso.
Da sede, um gole de cerveja. Da TPM, o chocolate.
Da fome levo a vontade de comer. E da vontade de comer, a academia.
Atravessei o oceano e na mala voltei com cenas – em papel, em cartões, em frases, em músicas. Em saudades.
Da salada, 0% de gordura. Da alegria, o bolo de chocolate. Com muito brigadeiro.
Moro em São Paulo e aqui pego trânsito diariamente, mas nasci na praia e queria mesmo era pegar onda no final da tarde.
Muitos sapatos! De alguns pego bolha, de outros pego estilo. Das sandálias tenho o ar fresco; das botas, o calor. Mas é nos pés descalços que encontro a escolha certa.
E pouca paciência: tudo me irrita, nada me tira do sério. Muita coisa dá preguiça.
Das compras, a vaidade. Espelho, espelho meu. E também a data de vencimento.
Do ontem levo o hoje. Do hoje vivo o agora.
Da noite, as inspirações. Do dia, o bronzeado.
Com o passar do tempo, a vida.
Com o passar da vida, eu.
