Enquanto olhava pela janela, percebi que se aproximava o
som da sua voz, que excita minha alma com
desejos mais íntimos correndo nas veias e me fazendo suar
frio da manhã longe de você... quando busco o
calor; tudo ficou mais claro, então. Lembrei dos beijos ardentes, a carne latejante e os profundos gemidos de prazer e de
dor, que domina a alma cada noite solitária, jogada e aconchegada na agústia a banhar-se do
sereno, como a música que fazem as palavras que um dia me fizeram amar. A vida, o sol, a lua, a flor e a pequena
borboleta voando por entre esses meus sentimentos
dourados e brilhantes como os aros sagrados nos dedos, unindo
almas e se embriagando com o aroma das mais belas
rosas, verdes, anil, amarelo e carvão. E eu, sedenta do doce da vida como o beija-flor que as beija, beijo
você nos sonhos que sonho quando sonho
acordada e ainda sonhando com seus carinhos, carinhas e
palavras escritas e sentidas, mas ditas por um simples
olhar no além, suspirando. Cheiro de paz na luz da
manhã que você trouxe estancando o sangue que existia na
alma... luz no fim do túnel. Sei que amo e prometo
alcançar a plenitude no instante do seu
toque, suas mãos na minha pele. Meu Deus! Como pode ser tão
bom vivant que vagueia em busca do seu
beijo. Calma, isto está um pouco repetitivo. Tudo o que queria dizer é que te amo. Mas pensar em você me deixa tão
confusa... e aliviada com a dor que sumiu e a ferida que
cicatrizou me fez viva novamente, e me fez ver que este amor existe e estava esperando por mim. Por fim
cheguei e sei que estou pronta. Deixei para trás todos os punhais e facas que carregava. Para em um abraço dizer que eu te amo.
** Este texto foi escrito a duas mãos, por mim e pela amiguérrima Karina. Mas uma não sabia o que a outra estava escrevendo. Era assim: uma escrevia e dobrava o papel deixando apenas a última palavra à vista; a outra continuava dali. Para entender, usei duas cores no texto para diferenciar. Parece que foi a mesma pessoa que escreveu, não parece?
** texto escrito em 16/06/99