Uma sala. Muitos móveis. Fotos e fotos. Na parede, na estante, no porta-retrato, no quadro. Preta e branca, colorida; com famosos, com família; solitárias, em grupos... Muitos ruídos lá de fora pela janela. Ônibus, tráfego intenso. Uma fonte ao fundo ensaia trazer tranqüilidade ao ambiente. Em vão. Hipopótamos, incontáveis hipopótamos intimidam nas prateleiras, no chão, nos quadros. Móveis antigos, design antiquado. Luz insuficiente. Flores em coma. Susto! Uma enorme boca aberta de hipopótamo. Peso. Escuridão. Pouco espaço vazio. Muitos quadros, muitos tapetes. Tapete pequeno, tapete grande, tapete em cima de tapete. Detalhes, fru-frus, rococós. Caixa, caixinha, caixona. Cinzeiros, cores, vasos, prata, cristal, cobre. Janelas fechadas. Ar parado. Silêncio. Farol verde, ônibus e tráfego intenso. Breu. Ranger de degraus. Um passo, outro passo... Andar com dificuldade. Uma senhora baiana faz as honras da casa e volta lentamente. Andar com dificuldade. Um passo, outro passo... Ranger de degraus. Sofá que engole. Almofadas que atacam. Incômoda espera.
* Baseado em fatos reais e sufocantes